Essa pergunta, que é feita a todo e toda aspirante a Psicanalista e sem a resposta fica difícil seguir adiante. Começando, pelo princípio do Conceito e levando em consideração a palavra “pulsão” (do Alemão Trieb) já teríamos uma pista: “Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir sua meta.”(LAPLANCHE E PONTALIS, in Vocabulário da Psicanálise, 5ª Ed., Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2022, p. 394-395). Aprendemos, também, que uma pulsão precisa reunir quatro elementos, que seriam fonte, meta, objeto e pressão (ou força). Agora, talvez venha a parte mais difícil: MORTE. A maioria das pessoas, mesmo que nunca tenham perdido alguém próximo, já pensaram no quê seria A MORTE, mas o que seria MORRER!? Acredito que se você que está lendo isso tiver alguma crença espiritualista, vai pensar que seria uma mudança de estado…porém, se te faltam convicções dessa certeza, provavelmente pensará: “quando se morre, acabou! É o nada! o vazio! É o estado inorgânico puro!”. E, seria justamente nesse “Estado Inorgânico Puro”, antes da vida, que seria a morte real; a simples ausência de vida? Nem tanto, ou diríamos que uma simples pedra estaria num estado de pulsão de morte, o que não é verdade. Então, chegamos no ponto central! Pulsão de Morte não existe sem Pulsão de Vida! (Já o oposto não sei dizer bem se é verdade também, mas tem grandes chances de sim). Quando Freud em seu “Além do Princípio do Prazer” (1919) cria a noção de “economia”, é disso que ele está falando. Nós, seres humanos, somos dotados de uma grande força para viver, para sempre sobrepujar uma “Pulsão de Morte” que sempre nos acompanha de forma natural. Seria como se desejássemos a morte constantemente e esse “balanço energético” fizesse contraponto e vivemos na diferença dessas tensões, como numa eterna “queda de braço”, onde no final, finalmente, morreremos. Obviamente que isso é uma versão muito resumida e até certo ponto, simplista. Mas o próprio criador do conceito não conseguia entender inteiramente sua “criatura”, que até hoje é fonte de debates muitas vezes acalorados, como uma Pulsão de Destruição ou de Dominação, que seriam a expressão externa dessa Pulsão de Morte. Tudo muito confuso e, as vezes muito claro, como se nadássemos num mar revolto, com ondas enormes… Encerro com um pequeno trecho do livro “Vida desinteressante”, de Victor Heringer, desejando a você, que me acompanhou até aqui, um excelente dia!
“5. Há uma pichação no Cemitério da Cardeal Arcoverde pelo qual guardo muito espanto. É bruta e ruidosa, são dois versos, um grito: ACORDA MORTO! Gosto porque não tem vírgula, só ponto de exclamação…!). Leio esse mandamento todo dia de manhã: acordamorto, acordamorto, acordamôr; acorda, amor; acorda, morto; acorda morto. Gosto porque é um chamamento à ressurreição e gosto porque, sem a vírgula, parece estar falando não com os mortos, mas com os passantes, os que espiam rapidamente pela janela do ônibus a caminho do trabalho: Você acorda morto, Você está acordado, mas não está vivo. Gosto dessa involuntária maldição ao trabalho sem alegria, trampo de mundo caduco, serviço. Acorda, amor. Vence a morte.
25 de agosto de 2014“

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