• O que raios seria uma “Pulsão de Morte”!?

    28 de janeiro de 2024
    Psicanalise

    Essa pergunta, que é feita a todo e toda aspirante a Psicanalista e sem a resposta fica difícil seguir adiante. Começando, pelo princípio do Conceito e levando em consideração a palavra “pulsão” (do Alemão Trieb) já teríamos uma pista: “Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir sua meta.”(LAPLANCHE E PONTALIS, in Vocabulário da Psicanálise, 5ª Ed., Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2022, p. 394-395). Aprendemos, também, que uma pulsão precisa reunir quatro elementos, que seriam fonte, meta, objeto e pressão (ou força). Agora, talvez venha a parte mais difícil: MORTE. A maioria das pessoas, mesmo que nunca tenham perdido alguém próximo, já pensaram no quê seria A MORTE, mas o que seria MORRER!? Acredito que se você que está lendo isso tiver alguma crença espiritualista, vai pensar que seria uma mudança de estado…porém, se te faltam convicções dessa certeza, provavelmente pensará: “quando se morre, acabou! É o nada! o vazio! É o estado inorgânico puro!”. E, seria justamente nesse “Estado Inorgânico Puro”, antes da vida, que seria a morte real; a simples ausência de vida? Nem tanto, ou diríamos que uma simples pedra estaria num estado de pulsão de morte, o que não é verdade. Então, chegamos no ponto central! Pulsão de Morte não existe sem Pulsão de Vida! (Já o oposto não sei dizer bem se é verdade também, mas tem grandes chances de sim). Quando Freud em seu “Além do Princípio do Prazer” (1919) cria a noção de “economia”, é disso que ele está falando. Nós, seres humanos, somos dotados de uma grande força para viver, para sempre sobrepujar uma “Pulsão de Morte” que sempre nos acompanha de forma natural. Seria como se desejássemos a morte constantemente e esse “balanço energético” fizesse contraponto e vivemos na diferença dessas tensões, como numa eterna “queda de braço”, onde no final, finalmente, morreremos. Obviamente que isso é uma versão muito resumida e até certo ponto, simplista. Mas o próprio criador do conceito não conseguia entender inteiramente sua “criatura”, que até hoje é fonte de debates muitas vezes acalorados, como uma Pulsão de Destruição ou de Dominação, que seriam a expressão externa dessa Pulsão de Morte. Tudo muito confuso e, as vezes muito claro, como se nadássemos num mar revolto, com ondas enormes… Encerro com um pequeno trecho do livro “Vida desinteressante”, de Victor Heringer, desejando a você, que me acompanhou até aqui, um excelente dia!

    “5. Há uma pichação no Cemitério da Cardeal Arcoverde pelo qual guardo muito espanto. É bruta e ruidosa, são dois versos, um grito: ACORDA MORTO! Gosto porque não tem vírgula, só ponto de exclamação…!). Leio esse mandamento todo dia de manhã: acordamorto, acordamorto, acordamôr; acorda, amor; acorda, morto; acorda morto. Gosto porque é um chamamento à ressurreição e gosto porque, sem a vírgula, parece estar falando não com os mortos, mas com os passantes, os que espiam rapidamente pela janela do ônibus a caminho do trabalho: Você acorda morto, Você está acordado, mas não está vivo. Gosto dessa involuntária maldição ao trabalho sem alegria, trampo de mundo caduco, serviço. Acorda, amor. Vence a morte.

                       25 de agosto de 2014“

    https://www.revistapessoa.com/artigo/778/o-muro-contra-a-morte
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  • “Tudo o que me tornei é o resultado (óbvio) do que planejei e deu errado” (Rubem Alves)

    3 de dezembro de 2023
    Psicanalise, Sem categoria

    Ouvi essa frase de Luiz Moreno, psicanalista da SBPSP, durante o lançamento de dois livros da também psicanalista Marion Minerbo, em 2020, na página da Editora Blucher, no canal YouTube. Me capturou instantaneamente! Tanto que na frase que dá inicio a esse local de “bate papo” que inauguro hoje, coloquei, entre parênteses, a palavra “óbvio”. Uma vez que vejo essas palavras de hoje como uma mensagem dentro de uma garrafa, adianto que a palavra “óbvio” é para mim muito perigosa! Até, sobre uma certa maneira de ver, “narcísica”, pois para a “criança onipotente” que vive em cada um de nós, pode ser encarada como ameaça a algo que “deveria” ter sido entendido mas que foi “apagado” por algum motivo. Em outras palavras: quando dizemos “óbvio”, dependendo de como você está convivendo com essa sua criança interna, uma mera palavra pode suscitar um caldeirão de sentimentos que podem nos confrontar com algo que nos recusamos a aceitar: o fato de termos escolhas diárias em nossas vidas, mas apesar de todo “planejamento de rota” nos nossos “GPSs”, os nossos desejos serão satisfeitos, mas não da forma que pretendíamos no início da jornada. Dito isso, o “óbvio”, para mim, é a constatação de que não importa “onde” cheguei, mas “como” eu estou agora nesse ponto…chegar é uma metafora de “Terminus”. Esse final, que espero que esteja longe, embora pareça sempre perto.

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